As águas do Rio pedem socorro, parte 2

Ok Pessoal, vamos à audiência.

Na data de hoje, 09 de novembro, recebemos o presidente da Rio Águas e seus assessores em plenário para depoimento na CPI das Águas.

Foi justificado que a maior parte dos contratos que estão suspensos se devem à metodologia anterior, de fazer contratos por 8 meses, e o processo de nova licitação, quando demora mais que o previsto, acaba por deixar a área descoberta. É claro que também há falta de organização, uma vez que uma licitação pode levar apenas 60 dias, mas justificaram que os novos contratos serão feito com prazo de 12 meses, e se prepararão para licitar novamente antes do vencimento a fim de evitar novas interrupções.

Isto, por si só, já seria absurdo. O pior, no entanto, ainda estava por ser revelado.

Descobrimos durante a audiência, admitido pelos depoentes, que as Bacias da Guanabara e Oceânica estão sem contratos de manutenção e operação por falta de recursos. Isto quer dizer, na prática, que rios, lagoas, canais etc das zonas norte e sul da cidade – lugares com grande população e também cartões postais da cidade – estão abandonados.

Combinamos que os depoentes enviariam urgentemente as informações sobre as verbas que necessitam, assim faríamos emendas ao orçamento 2011 neste sentido. Temos até o dia 26/11 para incluir os textos, portanto precisamos receber as informações o quanto antes.

E um exemplo da estupidez burrocrática do poder público: a UTR de São Conrado. Atenção a este problema absurdo e surreal.

Eis que foi criada uma UTR que trata o Canal da Rocinha, a fim de evitar aquela língua negra que surgia na Praia de São Conrado. Após o tratamento, o lodo resultante vai para a Cedae que bombeia para o emissário submarino de Ipanema. Mas, pasmem, os resíduos resultantes do processo, ou seja, esgoto e ainda produtos químicos, são também bombeados pela mesma elevatória, e despejados na Praia de Ipanema.

Resumo: estamos (1) gastando dinheiro público para “limpar” um rio e depois jogamos tudo por água abaixo (desculpem o trocadilho); e (2) varrendo para baixo do tapete, já que tiramos de São Conrado, mas estamos jogando a cerca de 4 km da praia em Ipanema.

Este caso é muito grave e precisa ser visto em conjunto com parceiros da Alerj (já que envolve Cedae) e Ministério Público. Também precisamos de apoio e mobilização dos cidadãos. E aí? Você vem?

Abraços,
Paulo Messina

Um pensamento sobre “As águas do Rio pedem socorro, parte 2

  1. Paula sexta-feira, 11 novembro 2011, 9:42 AM às 9:42 AM

    Infelizmente o que se passa nos emissários cariocas é pouco conhecido, praticamente não se fala sobre isso.

    Eu mesma não tenho muito conhecimento sobre isso, só sei o que meu professor de biologia me falou sobre esse assunto e um pouco de pesquisa que fiz. Aliás a praia dele é mergulhar mesmo. Ele já mergulhou próximo ao emissário submarino de Ipanema, com roupa de mergulho especial que evita o contato com a água, fazendo uma limpeza minuciosa na subida e ainda assim ele contraiu hepatite. Não há, de forma alguma, um tratamento adequado do esgoto lançado.

    Além do mais, o prazo para funcionamento do nosso atual emissário era de 30 anos. Ele foi construído em 70. Já foram constatados problemas de vazamentos. É questão de tempo para que Ipanema fique comprometida: se não adotarmos uma solução ao invés de 4km da praia (que aliás já é o suficiente pra afetar os banhistas: cerca de 1000 cloroformes fecais por mL se não me engano) o esgoto será lançado bem mais pertinho e a Zona Sul pode se preparar pra ficar inabitável com o cheirinho que vem junto.

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