Oposição Espartana

Pessoal,

Reporto-me hoje às palavras de Fernando Gabeira ao iG ontem, como podem ser vistas no link clicando aqui.
E este blog post é uma carta aberta de comentário e resposta pública ao meu querido ex-deputado, pessoa que mais admiro na política.

Iniciei minha vida política aqui na Câmara há dois anos, e naquela época a oposição – da qual faço parte – era minoria. Tínhamos de 11 a 13 votos contra quase 40 do governo, como pôde ser visto em diversas votações importantes de projetos de executivo que achávamos ruins. Perdíamos, mas a luta e as vozes eram muitas e fazíamos barulho.

Com o tempo, fui vendo as fileiras diminuirem. Alguns colegas de oposição se elegeram a outros cargos e foram substituídos por outros que já chegavam sentados no colo do prefeito. Além disso, alguns partidos, que antes eram esperança e ajudavam nas lutas, agora já estão em processo avançado de negociações com o governo, buscando composição.

Hoje, não acredito que haja mais que um punhado (chegamos a 6?) de oposição na Câmara.

Mas lhe digo: serei fiel ao voto que me elegeu. E este voto foi dado na candidatura alternativa ao atual prefeito: a sua, Gabeira. E este povo que votou – quase a metade nossa cidade! – queria uma política diferente, uma proposta nova e suas vozes ouvidas. Estou contigo. Venho fazendo e farei isto até o fim, não importado se estamos perdendo votações ou não. Não é porque a vitória é improvável que a luta é menos nobre.

O que importa é representar os interesses da população. Um exemplo prático do que uma oposição, mesmo em minoria, pode fazer: Ouvi o povo que pedia que suas escolas e hospitais não fossem terceirizadas. Criei e negociei aprovar minhas emendas que hoje são os parágrafos 1 e 2 da lei 5.026/2009, impedindo que escolas públicas municipais e hospitais públicos sejam entregues a Organizações Sociais. Há cerca de um mês, o sindicato dos médicos conseguiu liminar na justiça impedindo a tercerização do Miguel Couto graças a isso.

É a oposição que votou contra, e mesmo derrotada, ainda tenta derrubar a famigerada taxa de luz, com projeto de lei para separação das contas. É a oposição que ainda fiscaliza com olhar crítico. É a oposição que faço e continuarei fazendo em seu nome e do povo que nos elegeu. Não é, contudo,  uma oposição obtusa que vota contra o que é bom, como por exemplo o projeto do Porto Maravilha, mas tem a firmeza de brigar pelos ajustes necessários a melhor representação do interesse do povo carioca.

Recebi pessoalmente – pasme – até o agradecimento do prefeito Eduardo Paes em relação ao trabalho que fizemos na CPI das Águas, que levantou a situação de não manutenção dos rios e canais da cidade porque os contratos estavam vencidos. E, ao reiniciá-los, comentou comigo: “Eu li seu relatório. Agradeço seu trabalho, não sabíamos que aquelas bacias estavam naquela situação”.

O que seria de um governo sem oposição? O que seria de um gestor público sem críticas ao seu trabalho? Sem fiscalização? Acomodar-se-ia! Aliás, pergunto a todos aqui, o que é de um vereador que não fiscaliza? Um ditado chinês fala “que a pipa não sobe sem oposição do vento”.

Quero lhe dizer, por fim, que se hoje somos menos vozes, o barulho não será menor: vamos falar mais alto para compensar as vozes que se foram. E que pense que, independente do cenário e da possibilidade de derrota, a luta é o que importa. E o povo tem o direito de ter alternativa. Não seremos extintos. Eu estou contigo.

Abraços,
Paulo Messina

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4 pensamentos sobre “Oposição Espartana

  1. Alex Belchior segunda-feira, 25 abril 2011, 9:30 PM às 9:30 PM

    Com certeza o senhor tem feito um trabalho que merece o respeito do prefeito Eduardo Paes. Lhe desejo boa sorte e sucesso como presidente da comissão de cultura e educação.

  2. roberto anderson magalhães quarta-feira, 27 abril 2011, 10:13 AM às 10:13 AM

    Prezado Vereador Messina,
    Convido-o a assistir o seminário “Porto Maravilha: desafios e problemas” a ser realizado nos dias 16 e 17 de maio de 2011 no Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. O senhor poderá constatar que o projeto tem sérios problemas. Investir na Área Portuária é mais que necessário, mas é preciso um projeto mais adequado à cidade. Gabaritos de 30, 40 e 50 pavimentos, como foi aprovado na Câmara de Vereadores, são absurdos. Demolir galpões em bom estado e que, em alguns casos, abrigam projetos culturais e sociais é outro absurdo. Gastar recursos públicos, mesmo que originários de Cepacs, na demolição do elevado da Perimetral e construção de um túnel é outro absurdo. Priorizar o transporte rodoviário, mais ainda. Estas são questões que certamente serão discutidas no seminário.

    • Paulo Messina quarta-feira, 27 abril 2011, 10:25 AM às 10:25 AM

      Olá Roberto, onde será e qual horário? Abraços.

  3. Octavio de Souza Dantas quarta-feira, 27 abril 2011, 5:43 PM às 5:43 PM

    Prezado Vereador :
    A exemplo do Roberto Anderson, meu colega de coordenação nos VoluntáRIOs (grupo formado à partir das campanhas do Gabeira), expresso minha discordância em relação à sua afirmação, generalizante, com relação ao Projeto Pôrto Maravilha, e reitero a sugestão do Sr. assistir ao seminário mencionado, do qual o Roberto é um dos coordenadores, que acredito farão o Sr. refletir sobre uma série de aspectos deste projeto.
    Cordialmente,
    Octavio de Souza Dantas

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