Se fosse na Europa, dirigentes da CSA estariam na cadeia!

Pessoal,

Hoje tive a certeza de que a atividade da siderúrgica CSA em nossa cidade é mais que uma afronta ao meio ambiente: é criminosa. Em audiência pública da comissão de análise da CSA na Alerj, presidida pela deputada Lucinha, em que eu tive a honra de compor a mesa, vários novos casos foram apresentados.

Trata-se para quem não sabe, de uma empresa alemã, ThyssenKrupp, que veio supostamente investir na cidade do Rio de Janeiro estabelecendo uma siderúrgica para criar novos empregos em troca de incentivos fiscais.

Tudo mentira. O que ficou claramente configurado foi: a empresa precisava de um “quintal” para fazer a sujeira que não pode fazer em seu país natal, na Europa, devido à rigidez daquela comunidade às emissões de poluentes. O produto da siderúrgica, o aço, é feito a partir de quatro etapas principais: (1) A transformação do carvão em coque na chamada coqueria; (2) A combinação do minério de ferro com o coque, no alto-forno, produzindo o ferro-gusa; (3) A retirada de carbono e outras impurezas, criando o aço a partir da gusa líquida, na unidade chamada aciaria; (4) O lingotamento, que é a transformação do aço em placas, produto final da siderúrgica.

O que chama a atenção para a óbvia intenção maligna da multinacional é que 100% dos insumos (materiais necessários ao funcionamento da siderúrgica) são importados, assim como 100% do produto final (aço em placas) são destinados ao mercado internacional. Ou seja, nada, absolutamente nada justificaria sua instalação aqui no sentido de economia pura e simples, uma vez que as taxas de importação e exportação, assim como a logística, não fecham a conta mesmo com os incentivos fiscais.

Mas a verdade por trás de tudo isso é que este tipo de atividade não seria permitida na Europa ou qualquer país que tenha o mínimo de cuidado com o meio ambiente e com a saúde da população local. Mas, como diz a música, “Não existe pecado do lado de baixo do Equador”. Aqui, acham que tudo pode.

O que vimos hoje foi um plenário lotado de pessoas, moradores da zona oeste, onde a CSA está instalada, com problemas de saúde: respiratórios, de pele e até parentes de mortos. Um trouxe suas radiografias e mostrou da tribuna. Denúncias gravíssimas. Técnicos da Fiocruz ainda deram seu parecer sobre como este tipo de operação era danosa à saúde pública, inclusive com resíduos cancerígenos.

Dois eventos criminosos, que se tivessem sido protagonizados na Europa, pátria mãe da Thyssen, teria levado a empresa ao seu imediato fechamento e os donos para a cadeia: A operação causou uma “Chuva de Prata”, resíduos particulados que fizeram chover por toda a região, e fumaça alaranjada: Clique para ver uma das matérias.

A desculpa da criação dos 3 mil empregos diretos também é mentirosa. Oito mil pescadores da baía de Sepetiba estão agora sem empregos. E produtores rurais que, há gerações tiravam seu sustento da região, também estão sendo prejudicados. O saldo é negativo. Estavam todos presentes, às centenas, hoje no plenário da Alerj. O grito era claro: “Fora, CSA!”.

Para mim, é claro que a empresa descumpriu seus compromissos com a nossa cidade. E também ficou evidente a sua má intenção de fazer nossa cidade maravilhosa, cuja vocação é cultura, turismo, tecnologia num quintal de sujeira apenas para escapar do rígido controle que teriam em seu país.

De minha parte, farei o que for possível, e impossível, para fecharmos esta indústria. Primeiro, estabelecer uma nova tributação, além de cancelar qualquer incentivo que este empresa tem em nossa cidade. É para ficar bem claro que não é bem vinda aqui. E a receita desta nova tributação deve ser carimbada para sérias e pesadas compensações ambientais. Também deve ser proibida qualquer ampliação dos seus negócios, como ativações de mais fornos e criação de termelétrica.

A audiência deixou tudo muito claro: esta operação deve fechar e sair de nossa cidade. Já. E nunca mais permitirem a instalação de uma siderúrgica ou de qualquer setor industrial poluidor em nossa cidade que, repito, não tem vocação para esse tipo de imundície.

Abraços,
Paulo Messina

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