Chevron, Royalties e Petróleo

Pessoal,

O já tão divulgado e criminoso vazamento de petróleo na bacia de Campos traz uma reflexão importante num momento único: a divisão dos royalties do petróleo.

Enquanto movimentos levam às ruas centenas de milhares de pessoas pedindo o “Não à covardia com o Rio”, as palavras musicais “pelas ruas marchando indecisos cordões” me vêm à mente. Tudo tem um contexto, e a situação é sempre mais complexa do que parece.

Vamos lá. Primeiro, a tragédia ambiental da Chevron na bacia de Campos mostra claramente o porquê dos royalties terem que ficar prioritariamente nos estados produtores. O risco que se corre no local da extração não se pode comparar com o de estados longe daqui, por isso a infelicidade oportuna desse acontecimento.

Mas não defendo simplesmente que os royalties fiquem aqui e ponto final, sem fazer um ou dois ‘poréns’.

Há cidades no interior que não sabem o que fazer com tanto dinheiro. Sua economia é integralmente baseada nesse recurso não renovável, poluidor, sem qualquer perspectiva de desenvolver outras produções e, o pior de tudo, falta transparência no emprego dos recursos dos royalties. E entendam como ‘falta de transparência’ as piores possibilidades.

A conclusão que defendo é que sim, os royalties são dos estados produtores, pois são deles todos os riscos e para eles devem ir as compensações. Mas é importante defender e condicionar os royalties do petróleo ao emprego de pesquisa em desenvolvimento de tecnologia limpa e outro tipo de economia para as cidades, a fim de um dia estarem livres desta dependência. O ouro negro deve servir tão somente como investimento para nos livrarmos dele. Em segundo lugar, e não menos importante, estaria a exigência, também condicionada, de transparência total do emprego dos recursos oriundos dos royalties, por motivos óbvios, em cada cidade do estado.

Assim, minha voz de junta às demais nas passeatas: “Royalties sim! Mas com transparêcia e pesquisa para não precisarmos de royalties”. 🙂
É isso, ou ver várias cidades do interior do estado virarem cidades-fantasma, a exemplo de outras no interior de Minas Gerais no fim do ciclo do ouro.

Abraços,
Paulo Messina

Marcado:, ,

%d blogueiros gostam disto: