Intolerância Zero

Pessoal,

O Projeto de Lei 1082/11, que “veda a distribuição, exposição e divulgação de material didático contendo orientações sobre a diversidade sexual nos estabelecimentos de ensino fundamental e de educação infantil da rede pública municipal da cidade do rio de janeiro e dá outras providências”, foi a votação em 2ª discussão, o que quer dizer que, se aprovado novamente, seguiria para sanção a fim de tornar-se LEI. Vale lembrar que já havia sido aprovado por 21 votos favoráveis, e somente 9 contrários. Relembre o caso aqui.

Com as galerias cheias, as manifestações de apoio e repúdio ao projeto começaram cedo. Tentei colher assinaturas para emendas, como eu tinha dito no post linkado acima, e confesso que foi um sacrifício terrível. Está claro que a ampla maioria dos vereadores apóia o projeto e, se for a votação, virará lei.

Ocupei a tribuna para fazer um discurso contra qualquer tipo de intolerância, e esclarecendo que o projeto nada tem a ver com o kit anti homofobia, e sim com o impedimento de se trabalhar contra o preconceito nas escolas. Expliquei e pedi que o projeto fosse rejeitado, mas ficou claro que não o seria. A colocação das emendas foi a estratégia possível naquele momento, caso contrário hoje estaríamos nos jornais do mundo como “Rio de Janeiro, a cidade de uma lei que impede o combate à intolerância”.

Com as emendas, consegui retirar o projeto de pauta. Ganhamos tempo para trazer a sociedade civil para o debate, junto com especialistas, profissionais do magistério e as famílias. É preciso que se entenda que as políticas de conscientização contra a intolerância e o preconceito precisam ser implementadas para que nossas crianças parem de sofrer e promover o bullying nas escolas.

E, e se me permitirem lançar um novo termo, vamos defender a intolerância zero #intoleranciazero

No fim, conseguimos. Com 17 vereadores apoiando, tanto de oposição quanto governo, retiraramos o projeto de pauta para tentarmos agora um trabalho de convencimento dos demais, ao mesmo tempo trazendo a sociedade para o debate.

Existe um ditado em inglês que se traduzido quer dizer: “Aquele que luta e recua, vive para lutar outro dia”. E conseguimos recuar para lutar num dia em que o resultado possa ser diferente. Por ora, vitória em não ter permitido a aprovação do projeto. E vamos mantê-lo congelado!

Link do discurso: aqui. Link do Vídeo do Discurso: Aqui.


Entre a Intolerância e a Insensatez

Enquanto as opiniões se dividiam e conflitavam nos discursos pró e contra o projeto, uma outra corrente protagonizou nos bastidores atitudes ainda mais tristes da política brasileira.

Um grupo de vereadores de extrema esquerda, que faziam discursos radicais contra o projeto, queriam na verdade que o projeto fosse aprovado para que pudessem fazer sua política do “quanto pior, melhor”. Não é novidade em suas atitudes, que preferem ter um palco para poderem gritar contra qualquer coisa, com seus discursos de ódio. Afinal, se estiver tudo bem e todos os problemas resolvidos, quais são suas utilidades?

Não quiseram assinar as emendas para retirar o projeto de pauta, e chegaram até o absurdo de dizer que “ajudaria o Prefeito”, já que ele não teria que vetar. Ora, é completamente incoerente com a história de uma Câmara que aprova a lei da taxa de luz e o PL 1005 dos servidores mesmo com galerias gritando contrárias, só porque o prefeito orientou. Se houvesse qualquer vontade expressa do executivo, os vereadores da base aliada votariam conforme a orientação. É inconsistente o argumento de que algo nesta Câmara, de maioria governista, poderia ser aprovado contrariando a vontade do prefeito.

Resumindo, desculpas para que fizessem a sua velha política de sempre: torcer – e contribuir se possível – para o pior cenário acontecer, podendo assim tirar dividendos. Repudio este tipo de politicagem velha, inútil e enganadora. Graças a Deus vem perdendo espaço a cada eleição no país, e tomara que não tarde a desaparecer para sempre.

Para eles, fica a frase e homenagem a Millôr Fernandes: “Não devemos odiar com fins lucrativos. O ódio perde a sua pureza”. É Millôr, descanse em paz, pelo menos você não tem mais que tolerar isso! Nós sim, infelizmente, afinal defendemos a Intolerância Zero até para isso.

Abraços,
Paulo Messina

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5 pensamentos sobre “Intolerância Zero

  1. Patrich quarta-feira, 28 março 2012, 7:52 PM às 7:52 PM

    Messina, como professor da área de Letras, e AAC, lhe garanto, a cada dia seus textos ficam melhores: minhas saudações !!!

    • Paulo Messina quarta-feira, 28 março 2012, 8:36 PM às 8:36 PM

      Oba, obrigado! Vindo de um professor de letras, tem valor dobrado, valeu 🙂

  2. Fernando Meirelles quarta-feira, 28 março 2012, 8:31 PM às 8:31 PM

    Caro Vereador,

    gostaria que V.excia soubesse que lhe admiro como parlamentar e como um bom político que é. Mais lamento que Vexcia, tente militar num assunto que não tem o mínimo conhecimento.
    Com a única e exclusiva intenção de conquistar votos de mais um seguimento eleitora,l.pois tenho a certeza de Vexc não acredita em nada daquilo que escreveram para o senhor. Tudo bem, afinal na política vale tudo mesmo. Mais chegar ao ponto de não se importar com a educação e formação sexual de seus próprios filhos e de nossas crianças…
    Gostaria que o nobre parlamentar conversasse um pouco com sua esposa e repensasse um pouco sobre tudo aquilo que escreveram para o senhor. Não sei se o senhor tem uma bíblia em casa, mais e tiver consulte e veja se o senhor tem razão. A não ser que o senhor não creia em DEUS , nem na própria palavra de DEUS, Será que o senhor acha que DEUS é mentiroso? ‘ DEUS NÃO É HOMEM PARA QUE MINTA, NEM FILHO DO HOMEM PARA QUE SE ARREPENDA!”

    • Paulo Messina quarta-feira, 28 março 2012, 8:44 PM às 8:44 PM

      Fernando, primeiramente obrigado pelo elogio! Agora queria esclarecer que não estou militando em um assunto novo nem buscando votos em um novo segmento. O Partido Verde sempre teve votos de opinião, votos estes inclusive que me elegeram e preciso ser coerente com a ideologia. É importante notar que trata-se de uma ideologia livre de preconceitos, que não defende causa A ou B, e sim o fim da intolerância totalmente, de qualquer lado. Reveja meu discurso. Ah, detalhe importante, escrevo pessoalmente meus discursos, inclusive meus textos públicos. 😉 Sim, tenho Bíblia em casa, e também no trabalho. Sou católico e meu Deus jamais permitiria que impedíssemos a educação das crianças para tolerância. Veja que são coisas diferentes o que está se falando. Um grupo justifica o projeto porque serão passados vídeos de meninos ou meninas se beijando para crianças. Isso é um argumento falso e inexistente. O que se espera de combate ao preconceito e intolerância é tão somente o esclarecimento de que o direito de escolha do próximo deve ser respeitado e não hostilizado. Esses ideais sempre foram, e sempre serão norteadores de nossa política no Partido Verde. Reveja o discurso, a defesa é pela fraternidade, humanidade.
      Abraços e obrigado mais uma vez.

  3. Beatriz Benzac sexta-feira, 30 março 2012, 12:17 AM às 12:17 AM

    Caro vereador,

    Primeiramente quero parabenizá-lo pela coragem em nadar contra a corrente da religiosidade fundamentalista com todo o segmento LGBT. Segundo, quero agradecer por defender a diversidade e o direito de sermos quem somos, principalmente, nas escolas. Eu como lésbica e AAC me sinto muito bem representada como cidadã desta cidade.

    Obrigada!

    Beatriz Benzac.

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