Feriados Para Que Te Quero

Pessoal,

Há alguns dias, um amigo empresário, inconformado com a quantidade de feriados que temos por aqui, que acaba atrapalhando a economia e o desenvolvimento da cidade, e por que não dizer, do país. Vejam seu blog post aqui.

A imagem acima pode muito bem ser de duplo sentido 🙂 Força ao trabalhador pois faltam poucos dias para ter um descanso prolongado, e força ao mercado para sobreviver a ele.

Vejamos esta semana, por exemplo: tem o feriado da sexta-feira e o serviço público ainda contará com ponto facultativo na quinta. Aliás, se formos procurar no dicionário, “facultativo” quer dizer opcional. Na prática, neste contexto de feriado, quer dizer que não haverá expediente. A economia sofre porque tudo funciona em cadeia. “Somos todos engrenagens de uma imensa máquina”, já dizia Voltaire. Quando você não vai trabalhar, o problema não é só sua empresa produzir menos no mês: você não almoça no restaurante, o restaurante não cozinha e não compra alimentos, os produtores e supermercados não vendem, e assim por diante.

O pior de tudo é ver os professores terem que correr com a matéria para cumprir o número de horas necessárias, e nunca é a mesma coisa do tempo normal.

Voltando à economia, nem todos os feriados são ruins! Dia das mães e Natal, por exemplo, representam a maior parte do faturamento anual do comércio. As empresas de serviços, como sempre, sofrem! E lembrem-se que quem arrecada para prefeitura, ou seja, as cidades, é a prestação de serviços por conta do ISS. Venda de produtos, energia elétrica e telecomunicações geram ICMS, receita do estado.

Segunda a Firjan, neste ano os feriados vão somar uma perda de 45 bilhões de reais – que representa 21% acima de 2011. Mas, se formos olhar os números, não estamos tão mal assim: a média de feriados por ano nos países mais ricos do mundo é de 10,4 dias por ano, enquanto a nossa média é de 10,3. Nos países asiáticos, ela chega a 17,3!

Então por que essa sensação de que temos feriados demais? Por causa dos FERIADÕES! Temos a cultura de emendar tudo. “Sabe quando aquela quinta é feriado? Então, vamos matar a sexta também!”.

Existe um projeto de lei no congresso nacional que quer determinar a segunda-feira para todos os feriados que caiam em dias úteis. Por exemplo, se o dia 07 de setembro for cair numa terça ou quinta, será comemorado na segunda-feira anterior ou posterior, respectivamente. O ‘enforcamento’ e o ponto facultativo seriam evitados.

E você, o que pensa? Vamos discutir! 🙂

Abraços,
Paulo Messina

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10 pensamentos sobre “Feriados Para Que Te Quero

  1. elizabete costa da silva quarta-feira, 4 abril 2012, 10:37 AM às 10:37 AM

    O dia que eu for empresária, eu penso no assunto. Ao invés deles se preocuparem com esses raros descanso dos trabalhadores, deveriam se preocupar com a corrupção e com os salários milionários dos políticos e suas ausencias no trabalho, não generalizando as ausencias.

    • Paulo Messina quarta-feira, 4 abril 2012, 1:34 PM às 1:34 PM

      Bete, há também os empresários que, preocupados com o caso dos políticos, entram para ajudar a mudar as coisas 😉

  2. paulohpontes quarta-feira, 4 abril 2012, 3:48 PM às 3:48 PM

    Na época que eu era criança eu me lembro de que tinha rolado uma lei que trsanferia os feriados para segunda ou para a sexta de forma a evitar os enforcamentos.
    O tiro saiu pela culatra. O que aconteceu foi que folgavam no dia do feriado e no dia que o feriado deveria ter sido movido.

    Alguém mais se lembra disso? não sei se foi nos anos 80 ou 90!!!!

  3. paulohpontes quarta-feira, 4 abril 2012, 3:52 PM às 3:52 PM

    Eu realmente acho que tem feriado demais no Brasil. Tanto empregados quanto contratados ficam impactados por causa da instabilidade na agenda. quem tem filhos sempre fica naquela de “e agora, o que faço?” pois o colégio não dá aula na quinta e vc só folga na sexta… A analogia de que somos todos engrenagens da mesma máquina é perfeita. A nossa sociedade não funciona corretamente se uma parte dela está a meia força…

  4. Crioulla quinta-feira, 5 abril 2012, 10:36 AM às 10:36 AM

    Tudo tem seu lado positivo e negativo… Realmente, os feriados em excesso causam um certo transtorno para a economia, para os pais que trabalham e não tem com quem deixar seus filhos e etc. Por outro lado, é nos feriados que a maioria das famílias podem estar juntas, que os funcionários podem descansar de verdade, pois trabalham além, muito além da sua carga horária e não recebe horas extras, e por aí vai. Há tantas coisas que precisam ser mudadas, como por exemplo, os políticos deveríam (devem) trabalhar no mínimo 5 dias na semana como todos os trabalhadores (a maioria trabalha 6 dias e mais de 8 hs por dia) e ganhar um salário que possam viver com dignidade, um salário que todo trabalhador merece, e não esse absurdo que recebem hoje, quando nada fazem para merecer (sem generalizar, pois existem políticos, poucos, que fazem o seu trabalho). Sou Educadora e ganho um salário mínimo, uma vergonha tamanha a minha responsabilidade perante as minhas crianças e ao meu País; trabalho além da minha carga horária e sobrecarregada, como outros colegas. Tenho certeza que isso também ocorre em outras funções, profissões… A analogia de que somos engrenagens da mesma máquina pode ser perfeita, mas a verdade é que a classe menos favorecida é a engrenagem de uma outra máquina.

  5. Kelly quinta-feira, 5 abril 2012, 12:09 PM às 12:09 PM

    Vereador,li uma pesquisa sobre carga horária,realizada em 2011,que mostra que Portugal é o país com a terceira maior jornada de trabalho do mundo,sendo 8 horas 37 minutos por dia.O Canadá tem a mesma jornada,com salário mínimo vigente que alcança R$ 16,80 a hora.
    Tudo bem que o custo de vida é diferente.
    Mas aqui,em nosso país,temos um salário mínimo de R$ 622,00,com a hora de trabalho a R$ 2,59 centavos.No caso de nossa cidade,isso não paga nem a passagem absurda de ônibus,que está R$2,75.
    O que quero dizer com isso é que o trabalhador brasileiro tem uma das maiores jornadas de trabalho do mundo (já que fazem,em média,44 horas semanais),para ganhar um salário mínimo que não lhe permite condições dignas de vida,sendo impossível sustentar uma família.
    Na verdade,em cidades como a nossa,até mesmo o aluguel de uma casa pequena,em uma comunidade (falo de algo dentro da lei),já está na faixa de R$ 450,00.
    Como pagar o básico para a sobrevivência? Luz,água e alimentação?
    Aí querem que o trabalhador tenha consciencia de que seu dia de descanso custa caro aos cofres do país!Não terão,Messina!
    Porque,na realidade,a economia que se faz pagando esse salário patético a quem seria a principal engrenagem dessa máquina,já compensa economicamente os feriados.Economizam tirando a dignidade do trabalhador que levanta cedo,encara ônibus lotados e mal conservados,às vezes trens (que sabemos como estão),para enfrentar uma jornada longa de trabalho,e,no final de semana,não sobra dinheiro para o lazer.Nem mesmo nos tão discutidos feriados!
    Nesse,o trabalhador,geralmente,gasta três,quatros horas trabalhadas para pagar a passagem de ônibus para a praia,que é uma opção de lazer gratuita.

    Então,falando como cidadã,acredito que para mudar a mentalidade do trabalhador brasileiro,o caminho não é tirar o feriado ou mudar o dia,é dar a dignidade que ele merece.
    É fornecer o transporte público confortável que não o faça já chegar cansado ao trabalho.É dar o salário justo e compatível com uma jornada tão longa,que permita que ele tenha o descanso e o lazer merecidos,com sua família.É pagar o justo e necessário para que ele tenha condições dignas de moradia.Enfim,é cuidar da saúde física e mental do principal bem da empresa,para,aí sim,falar em produtividade.
    Não é fácil trabalhar pensando em como pagará o aluguel no final do mês,ou no filho doente que não tem plano de saúde e não conseguiu atendimento em um hospital público lotado.
    E isso acontece.Todos os dias.
    O que falta,sinceramente,é bom senso,é humanização.É dar as ferramentas necessárias para ter o direito de exigir.É que a lei não seja tão dura e fria que beneficie apenas o lado mais forte,e esqueça que o desgaste da engrenagem pode provocar uma pane com consequencias bem mais sérias.
    Eu entendo o lado do empresário,mas o empresário precisa se conscientizar de que,sem o trabalhador,ele não terá uma empresa.Ou terá uma empresa com uma rotatividade de funcionários tão alta,que jamais alcançará a produtividade almejada.
    Quando era do setor privado,via gente trabalhar 8 horas por dia,e fazer bico depois do trabalho,para completar o orçamento básico para a sobrevivência.
    O governo fala o tempo todo que o padrão do brasileiro está subindo,que o poder de compra aumentou.
    O que melhorou foram as condições de parcelamento que o deixam ainda mais endividado.Muita coisa precisa mudar para chegarmos ao nível de consciencia que querem exigir.
    Quem trabalha 40 a 44 horas semanais e recebe um vencimento de R$622,00,morando de favor,ou em área de risco,sem condições dignas,fazendo bicos para completar a renda,e realizando verdadeiros milagres para sobreviver,só quer que as coisas melhorem,só quer o justo.
    Os feriados custam bem menos aos cofres públicos do que a corrupção de alguns políticos lá de Brasília,que vemos na tv todos os dias.E um funcionário insatisfeito (com razão) custa bem mais a um empresário do que aquele que recebe o justo e está em paz,sabendo que seu trabalho garante o sustento de sua família.Esse não precisa de feriado prolongado.Esse sabe que,quanto mais produzir,mais ganhará.
    Muita coisa precisa mudar,meu caro vereador.E,enquanto toda a responsabilidade cair sobre o trabalhador,a situação só tende a piorar.
    Certa vez ouvi de um empresário,referindo-se a um funcionário que recebia salário mínimo,na data que o mesmo queria (as vezes lá para o dia 17),sem pagar horas extras (mesmo trabalhando 10 horas por dia e sábados): Se não está satisfeito,peça demissão.
    Demissão significa aluguel atrasado,contas atrasadas,nome no SPC,até conseguir outro emprego,que não é tão fácil assim.Muitos trabalhadores se tornaram escravos de um sistema que massacra e só quem vive nesse sistema,no lado mais fraco,entende.A cultura do desespero,da intimidação,da submissão.A estratégia que muitos empresários usam de manter auto estima do trabalhador baixa,para que o mesmo acredite que está “ruim com ele,pior sem ele”.Enfim,o trabalhador não é o único que precisa mudar sua mentalidade.Muitos empresários também precisam.
    A questão é bem complicada.

    • Sandra Mendonça domingo, 8 abril 2012, 11:41 PM às 11:41 PM

      A Cultura sempre é essa: o assalariado pague a conta, sozinho! A tendência é piorar!

  6. Carlos quinta-feira, 5 abril 2012, 5:58 PM às 5:58 PM

    Ótima ideia essa de acabar com o enforcamento. Mas se o feriado cair no domingo, vamos comemorar na segunda? Acho q não!
    Além do mais quem formulou essa proposta de lei quando trabalha é terça, quarta e quinta. De sexta a segunda está em seu curral eleitoral as custas de todos.

  7. alexandra tavares da silva sexta-feira, 6 abril 2012, 12:30 AM às 12:30 AM

    Temos que colocar na balança,o que é bom para alguns, pode não ser bom,para outros.

  8. Sandra Mendonça domingo, 8 abril 2012, 11:38 PM às 11:38 PM

    BN! Seu raciocínio tem lógica.Sendo assim, que tal dar exemplo: de cara aumentar as horas semanais para os políticos, equiparar férias, recesso a de um trabalhador normal pra depois discutir com sanidade o número de feriados e enforcamentos?
    Falar em perdas reais, em números econômicos é fácil.
    Entendo isso como menos verba a ser desviada no futuro.
    Isso sim é que ofende!!!!!!!!!!
    Estamos ajudando a dinibuir desvios de dinheiro público! Viva os feriados SEMPRE!!

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