Agente Educador II: Novo Concurso?

Pessoal,

Em um conjunto de reuniões em negociação com a Secretaria Municipal de Educação (SME), em dezembro de 2014, intermediamos um grupo de agentes educadores com a Secretária Municipal de Educação, Helena Bomeny, na qual participaram as lideranças da Comissão de Agentes Educadores II (AEII). Uma das grandes conquistas desta mesa de diálogo foi a SME ter se comprometido em chamar mais cerca de 500 agentes do banco do último concurso que estava prestes a vencer, com prazo de expiração previsto para fevereiro de 2015, portanto, com pouco tempo hábil para tomarem posse.

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A tragédia da Tasso da Silveira, em 2011, motivou, além da reforma estrutural da escola, a chamada de 1224 novos AEs em junho de 2011. A categoria teve o início de seu crescimento e projeto para lotação em todas as unidades desde então.

E assim foi feito. A Prefeitura cumpriu a sua parte, chamando em torno de 500 agentes, em dezembro de 2014. Infelizmente, como se tratava de um banco de um concurso realizado 4 anos atrás, apenas metade das pessoas apareceu para tomar posse, seja porque já tinham sido aprovados em outros concursos, ou se colocaram no mercado em CLT etc. Assim sendo, desde de fevereiro, a categoria está sem banco.

A realização de um novo concurso para Agente Educador, além de melhorar o quantitativo nas escolas, seria uma excelente oportunidade para a SME promover uma correção histórica da escolaridade do cargo, exigindo dos candidatos o mínimo de nível médio.

Eis que hoje (terça) surge uma matéria na Folha Dirigida, na página 13, que nos deixou em alerta. De acordo com o jornal, o exame exigiria dos candidatos apenas o nível fundamental. Se isso for verdade, será um grande retrocesso ao se admitir que a categoria continue apenas com essa escolaridade. Nível Fundamental é o nosso aluno. Não podemos ter um agente educador (que atua como inspetor de escola) com o mesmo nível de escolaridade que está se buscando para o aluno. (NOTA: Há uma categoria que chama-se de fato Inspetor de Escola, antiga, anterior ao agente educador, mas que fique claro que os vejo na mesma condição do Agente, necessitando de correção de escolaridade).

Esse foi um erro do cargo quando criado em 2005 (Lei Nº 3.985/2005), e agora se tem a grande oportunidade da SME resolver este problema. Em 2013, nós conseguimos aprovar uma emenda no Plano (PCCR), promovendo a obrigatoriedade de progressão por formação, mas esta foi executada com meros 10% sobre o vencimento, não sendo realizada como foi planejada.

Em uma busca realizada no sistema da Prefeitura, localizamos o processo Nº 07003914/2015, datado de 03 de julho de 2015, tramitando na Prefeitura para a abertura de concurso de fato. É claro que há o o grave problema financeiro, que todos nós sabemos que aflige não somente o Município como todo o país, mas colocar um concurso de Agente Educador na rua só com o nível fundamental vai gerar reações não só desta Comissão de Educação e Cultura, mas certamente também do Ministério Público, podendo acontecer o mesmo o que ocorreu com o concurso de Agente de Educação Infantil, anunciado em 2012, e que acabou suspenso até hoje, 3 anos depois.

Por isso, esperamos que o Executivo, antes de colocar um novo concurso na rua, resolva da única forma que é possível: envie com urgência um projeto à Câmara para alterar a escolaridade da categoria do Agente Educador II.

Abraços,
Paulo Messina

11 pensamentos sobre “Agente Educador II: Novo Concurso?

  1. Jefferson Ribeiro Farei terça-feira, 21 julho 2015, 8:47 PM às 8:47 PM

    Sei criticar, mas também sei elogiar. Ótimo texto! Reflete o que nós pensamos. Este erro precisa ser corrigido já. Não podemos deixar que mais um concurso aconteça com nível fundamental. Só espero que o executivo cumpra com o seu papel e possa acabar de vez com esse erro.

  2. Álvaro terça-feira, 21 julho 2015, 8:54 PM às 8:54 PM

    Isso é uma grande verdade vereador Paulo Messina, precisamos mudar a escolaridade desse cargo com urgência, pois o cargo de inspetor de alunos requer não somente o ensino fundamental já que é impossível um profissional que possui apenas o ensino fundamental lidar com todas as questões pedagógicas, de segurança, políticas, sociais e administrativas inerentes ao exercício dessa função.
    Precisamos convir também que 10% de qualificação por escolaridade ao profissional é uma piada quando se pensa que são 10% de gratificação em cima de um salário pífio e que não dá nem para pagar o aluguel de uma casa e arcar com as despesas da mesma.
    A situação do quadro de apoio é deplorável, os agentes educadores precisam cumprir jornada de 40 horas semanais desgastando seus corpos em pé e sua voz nos pátios, corredores e portões (e pq não dizer nas salas de aula também como tem acontecido) e não ganham nem 1/3 do salário de um professor regente com a mesma escolaridade, se a situação está mal para os docentes imagina para os agentes educadores…
    É necessário investir na qualificação do profissional para que o agente educador se sinta motivado a trabalhar, do contrário teremos um profissional cansado, com dívidas, sem saúde trabalhando em nossas unidades de ensino.
    Mudanças como foram feitas para os agentes de educação infantil precisam ser tomadas com urgência pois temos um quadro profissional que se esvai aos poucos por causa de poucos benefícios que lhes são negados pela nossa atual Prefeitura e que lhes são altamente necessários. Mudança de escolaridade, melhor remuneração com adequação da carga horária, é isso que todas as categorias precisam e não só os agentes de creche.

  3. Adriano de Souza Santos terça-feira, 21 julho 2015, 9:04 PM às 9:04 PM

    Trabalhei 2 anos e 9 meses como Agente Educador II amava meu trabalho, poder ser referencia na vida de crianças e jovens é muito bom, ali me identifiquei com a educação, tive o prazer de conhecer profissionais excelentes e ter uma gestora que se importava comigo e com meus colegas, mas a falta de perspectiva e de plano de carreira fez com que pedisse exoneração em Maio do Ano passado (2014), após o nascimento de meu primeiro filho, pois amor, carinho e respeito apenas não poe mesa, nem paga contas. Fizemos um curso de formação com o Grupamento de Ronda Escolar da Guarda Municipal e achávamos que o mesmo seria pelo menos certificado, o que não foi. O Curso foi ótimo mais apenas acrescentou conhecimento para vida, porém, não tenho como comprovar que o fiz para ser aproveitado em outras carreiras. Ou seja, o mesmo que nada. Passei no concurso de Agente de Apoio a Educação Especial achando que as perspectivas profissionais seriam outras, mas já tem um ano que o concurso foi realizado e vai fazer um ano que foi homologado e não tem a menor confirmação de que haverá convocação antes do termino deste ano. Muitos colegas que foram aprovados como eu estão indignados com a forma que a situação esta sendo levada. Este ano o numero de crianças especiais matriculado na rede do município foi a maior da história, porém, não mudou nada. A SME comprovadamente esta usado estagiários para exercer a função e devido a isto o MP e a Defensoria Publica já foi acionada pra poder resolver judicialmente. O que vai acontecer não sei, mas tenho esperança, assim como tenho na educação de nosso país. Sei que a mesma é a única chave para uma vida digna de todos, por este motivo escolhi a carreira de Educador – aluno do 6º periodo de Licenciatura em Geografia Uerj.
    O que será de nós Exmo. Sr. Vereador?

  4. Ilda Pêsames terça-feira, 21 julho 2015, 9:18 PM às 9:18 PM

    A formação deve sem dúvida alguma ser ensino médio e a necessidade de concurso para lotação destes profissionais nas escolas deve ser em caráter de emergência.

    Enviado do meu iPhone

    >

  5. José Omar Duarte Ventura terça-feira, 21 julho 2015, 9:43 PM às 9:43 PM

    Perfeita e justa opinião!

  6. Alex Cardoso terça-feira, 21 julho 2015, 10:49 PM às 10:49 PM

    E com relação à redução de carga horária do Agente Educador II. O salário é irrisório e a sobrecarga de trabalho é enorme. Muitos já pediram exoneração e os que estão, só o fazem por extrema necessidade. Alguém há de surgir nesse cenário “político'” para levantar essa bandeira em prol dos AEII?

  7. Anna Caroline quarta-feira, 22 julho 2015, 12:42 PM às 12:42 PM

    Contrataram os concursados e não efetivaram, se tivessem efetivado não estaria assim.

  8. Mailda Santana quarta-feira, 22 julho 2015, 4:33 PM às 4:33 PM

    Gostei da postura do vereador Paulo Messina em relação ao novo concurso para os AEII. Tenho a esperança primeiramente em Deus. Oro para que o vereador seja canal de Deus para nos ajudar.
    Eu ainda continuo no cargo por necessidade. Trabalho 8 horas diárias em uma escola cheia de problemas. Uma escola com 2 prédios mais de 1200 crianças e eu estou sozinha.
    Saio da escola minada muitas vezes.

  9. Ana Lúcia F. F. quarta-feira, 22 julho 2015, 5:47 PM às 5:47 PM

    É consensual e urgente a mudança de escolaridade para Ensino Médio, uma vez que o Agente Educador lidar no seu trabalho com o Ens. Fundamental I e II, além das questões sociais, pedagógicas, políticas e etc.
    O salário é irrisório mesmo em relação ao tipo de trabalho que exercemos na prática.
    Mudanças precisam ser feitas antes da publicação de um novo Edital, do contrário só se estenderão os problemas e o esvaziamento continuará existindo. Vereador precisamos do seu apoio na valorização deste profissional que nos dias atuais faz muita diferença dentro do espaço escolar.

  10. Taciane quinta-feira, 23 julho 2015, 9:10 AM às 9:10 AM

    Pois é, li que foram convocados 500 pessoas e só a metade compareceu, então porque não chamaram o restante dos aprovados. Passei neste concurso e não fui convocada!! Estava esperando mais chamadas, porém não aconteceu.

  11. Eliane Figueira sábado, 25 julho 2015, 5:07 PM às 5:07 PM

    Concordo com você Taciane! Meu marido também fez esse concurso, e não foi chamado! Como teremos a certeza de que realmente foram chamados os concursados desse comprometimento SME, se não houve nenhuma referência sobre isso.

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