Violência nas escolas: solução envolve famílias

Pessoal,

Há poucos dias, a Escola Municipal República do Líbano, em Vigário Geral, sofreu com a ação de uma gangue que invadiu, depredou e agrediu professores. A situação, aliás, é recorrente naquele escola – e em muitas da Rede.

Segurança não é só prerrogativa do Governo do Estado. Nós temos que fazer nossa parte enquanto município. Nesse sentido, a prefeitura deve procurar intervir nas seguintes situações: 1) Coibir ameaças externas, com maior presença do poder público como iluminação, urbanização de praças, fazendo o bairro ocupar o entorno e 2) Dar assistência a alunos em situação de risco social; Envolver mais as famílias – a escola pode fazer muito, mas não pode fazer tudo, em especial o papel da família.

violência_escola 2No primeiro caso, se faz premente que a SME destine uma pessoa para acompanhar a entrada e saída de alunos. Desde o dia 14 de julho de 2014, a SME optou por não renovar o contrato com a Vpar – empresa concessionária responsável pela contratação de porteiros para as escolas da rede desde 2011, ano em que ocorreu a tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo – e, desde então, as escolas da rede estão sem porteiros. A decisão foi tomada pela péssima gestão da empresa que, apesar de receber em dia (informações da secretaria), havia denúncias de atrasos de pagamento, descontos indevidos e problemas com as cestas básicas distribuídas aos funcionários, ao longo dos anos de 2013 e 2014.

De lá pra cá, algumas soluções foram apontadas. A primeira foi a utilização de pais voluntários, o que não foi o ideal e não teve êxito. Chegou-se a cogitar também a colocação de servidores readaptados nas portarias. Tal solução igualmente não resolve, uma vez que os servidores readaptados, dependendo do tipo da lesão ou problema de saúde que adquiriram durante o exercício de sua função original, muitas vezes não podem ficar muitas horas sentados ou teriam restrições para abrir e fechar os portões das unidades, devido até a sequelas ortopédicas que as restringem (de acordo com seus laudos da perícia de readaptação).

Enquanto a crise financeira do país exigir cautela dos municípios no que diz respeito a qualquer aumento de gastos e uma medida que eleve muito os gastos não puder ser efetuada, é importante que alguma solução – mesmo paliativa – seja implementada para evitar que as escolas fiquem desguarnecidas. A volta das rondas da guarda municipal ou até mesmo, se possível, a presença de um guarda na portaria nos horários de entrada e saída já poderia ajudar no curto prazo.

Atenção ao fato que, isso por si só, jamais impediria uma tragédia como foi na Tasso da Silveira, com o terrorista fortemente armado, mas isso é um fato excepcional. Tampouco o funcionário de portaria impediria as gangues de pular os muros. Mas é claro que a presença serve para inibir muitos outros problemas do dia a dia na segurança.

Em relação aos alunos em situação de risco social, é necessário que a SME reestruture o Proinape, de maneira que o programa atenda a um número maior de Unidades e chame as famílias à responsabilidade, tendo em vista os crescentes casos de violência que surgem diariamente em nossas escolas. Composto por equipes de Professor, Assistente Social e Psicólogo, o Proinape aborda junto a toda comunidade escolar casos de violência, conflitos, dificuldade de relacionamento interpessoal, entre outros desafios do cotidiano escolar que afetem a relação ensino-aprendizagem.

Criado em 2009 por um conjunto de resoluções e decretos, os cargos de fato não existem no âmbito da Secretaria, vivendo de profissionais “emprestados” das pastas da saúde e da assistência social. Com isso, as equipes vêm minguando ao longo dos anos, sem possibilidade de reposição por parte da Educação. O projeto que já contou com 113 equipes, hoje tem cerca de apenas 80 para atender demandas das mais de 1.000 escolas. Em 2013, chegamos a aprovar na Câmara Municipal um projeto de lei que tornava o Proinape uma Política Pública, o que estimularia o profissional a se fixar na equipe, aumentando o seu número em no mínimo 200 times, mas a Procuradoria do Município entrou na justiça alegando inconstitucionalidade da iniciativa. Pedimos então que a iniciativa venha do Executivo, se o problema era esse. Até hoje ainda estamos no aguardo do projeto de lei, e insistindo nele.

É preciso que a Prefeitura forneça as ferramentas e o conhecimento necessários que possibilitem aos profissionais restabelecerem a ligação entre a escola e a família, relação que, muitas vezes, é dificultada pela grande variedade de problemas que a afetam. Assim, como já mencionei neste blog, as questões complexas que apresentam uma multiplicidade de aspectos poderão ser avaliadas de vários ângulos e, por conseguinte, maior será a possibilidade se encontrarem soluções mais adequadas e efetivas.

E você? Qual sua experiência com a violência escolar? Conte para nós. E vamos debater as propostas de solução?

Abraços,
Paulo Messina

4 pensamentos sobre “Violência nas escolas: solução envolve famílias

  1. Ana Lucia Cordeiro Cruz Lago quarta-feira, 22 julho 2015, 8:18 PM às 8:18 PM

    A Escola Municipal Maria Leopoldina, situada à Rua Santo Amaro, 133, Glória, está desguarnecida de porteiro e agente educacional. Uma escola de 4 andares, mas a CRE retirou a excelente e competente que tínhamos. E única para realocar para a Escola Municipal Deodoro. Inadmissível!!!

    • Ana Lucia Cordeiro Cruz Lago quarta-feira, 22 julho 2015, 8:21 PM às 8:21 PM

      E a Deodoro tem agente educacional. Só que a senhora Maria Nilza foi irredutível em relação à transferência. Não dá pra entender. Na hora em que acontecer uma tragédia…

  2. Vilma quinta-feira, 23 julho 2015, 10:09 AM às 10:09 AM

    Bom dia concordo com a saída dos Porteiros escolares todo corpo da escola se sentiu fragilizado é claro que não impediriamos um ataque de terrorista mas com certeza a nossa presença inibe e muito qualquer má intenção que o indivíduo tenha intenção de fazer.

  3. Leila quinta-feira, 23 julho 2015, 10:43 AM às 10:43 AM

    Vivi a pouco tempo uma situação de violência. Fui agredida por uma aluno do meu tamanho, eu tenho,1,63 de altura. Com o quase o dobro de peso que eu tenho,peso 63 quilos.Criança essa que pegou uma cadeira no pátio e queria “enterrar”,Palavras dele, a cadeira na cara de outra criança.Ao pegar no ar o objeto, agarrei-a com minhas duas mãos. Com uma mão ainda segurando a cadeira,ele,Com a outra desferiu-me diversos socos.Na tensão do momento não percebi o quanto tinha sido machucada,preocupada com a violência e raiva do aluno para como outro aluno,e a força com que segurava a cadeira que apesar de fraca e leve,tinha as”pernas” feitas de ferro.Se não fosse o pronto atendimento do professor de Educação física que também foi agredido com”voadoras”, Hoje eu estaria quem sabe com uma perna quebrada ou coisa pior.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: