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O Antigo Museu do Índio

Pessoal,

Hoje vou escrever sobre o imbróglio envolvendo o antigo Museu do Índio, a que muitos estão chamando de Aldeia Maracanã, um dos assuntos mais polêmicos nos últimos dias no Rio de Janeiro.

Primeiro, é importante notar que há pelo menos dois problemas distintos a serem abordados.

Com relação ao prédio, de fato é um exemplar único da arquitetura do final do século XIX, início do século XX. No entanto, não basta defender a não demolição, o local precisa ser restaurado, já que está em ruínas. Ficar como está, não dá. A casa do universitário, ao lado do Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo, estava na mesma situação de abandono e hoje é um prédio lindíssimo.

antigo-museuO segundo problema é em relação às pessoas que moram no prédio. Neste ponto, temos que lutar pela proteção dos direitos humanos e das minorias, mas sem demagogia. Se os índios forem relocados, que seja com dignidade, respeito e sem violência, para um local melhor e com condições humanas de moradia. A oferta de aluguel social já foi rejeitada por eles. Agora, o governador surge com a oferta de transformar o antigo presídio na Quinta da Boa Vista num centro de referência indígena, relocando-os para lá. O ponto de acordo precisa ser encontrado para esse conflito.

O centro da questão a se analisar aqui, é que o local não é apropriado para moradia, vide foto abaixo, reproduzida do Jornal O Globo, assim como as demais. Não há dignidade àquelas famílias nem gera a cultura que poderia gerar se o local fosse reformado e transformado num Centro Cultural, por exemplo. As famílias de índios que, ocupam o prédio abandonado desde 1996, poderiam trabalhar no local, mas ter direito à moradia digna (garantido na Constituição Federal) em outro local.

moradiaReitero que o imóvel, ao lado do Maracanã, tem que ser restaurado e se tornar um centro cultural, e defender apenas a sua preservação (não demolição) é um erro pois a tendência é a degradação cada vez maior do bem público. 

Devemos defender, então, a reforma do prédio, e não somente a preservação; a transformação do local em um centro cultural dos povos indígenas, inclusive com Universidade de Línguas, sob os cuidados da Secretaria Municipal de Cultura e, de preferência, com os atuais indígenas trabalhando no local. Será uma grande oportunidade de transformar toda essa crise numa vitória para toda a sociedade carioca. Abaixo, mais uma foto de como o local está em ruínas em vários pontos:

entulho

Felipe Pinheiro, um integrante da juventude do Partido Verde, relatou em comunicado para mim: “Ontem passei a noite lá e frequento o local há um certo tempo. Apesar de não viverem em florestas, caçarem, plantaram, todos os índios da Aldeia, estão intimamente ligados as suas tribos originais (Patachós, Tukano, Apurinan, entre outras), sabem falar a sua língua originária, praticam e defendem os seus costumes tradicionais (danças, culinárias, artesanatos, medicina, rituais e práticas espirituais)”. Isso reforça a idéia de criação do Centro Cultural.

A verdade é que se Cabral (Sérgio, não o português) continuar promovendo demolições de escolas e patrimônio, o legado da Copa será nossa cidade perder sua memória histórica, e na Copa vamos acabar torcendo para outro país, porque sequer vamos lembrar que somos brasileiros. Aliás, a FIFA respondeu num ofício à defensoria pública que nunca solicitou a demolição do Antigo Museu do Índio (o atual é em Botafogo), como pode-se ver abaixo:

fifa-indios

Esta é uma causa apartidária e deve manter-se assim. Não se trata de uma luta entre governo e oposição, e sim da sociedade que deve lutar para ser ouvida. Isso deve ser muito maior que apenas uma bandeira partidária, ou há mácula na causa.

Lembro bem de ter ouvido uma frase de Fernando Gabeira, muito pertinente neste contexto: “O Brasil é um país onde o sistema coloca as pessoas na situação de fragilidade social e a extrema esquerda vem e luta para que elas não saiam dali, em vez de buscar melhorar suas condições”. Pensemos nisso e vamos lutar as lutas certas, defender as causas justas e, neste caso, buscar a solução definitiva para esses dois problemas distintos, que encontram-se entrelaçados: restauração do prédio e os direitos humanos.

Abraços,
Paulo Messina

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